“A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como útil”.
Sêneca
Esqueçam as revoltantes estatísticas sobre pobreza, racismo e gays assassinados. Sabiam que na verdade uma das minorias que mais sofre preconceito no mundo é a dos ateus e agnósticos. É claro que será muito fácil para os politicamente corretos de plantão me acusar de fascista e insensível diante desta declaração, que é obviamente retórica e auto-indulgente, aspectos que eu não apenas admito como faço questão de sublinhar. Contudo, apesar disto, a realidade estranhamente depõe a meu favor. Obviamente não falo de intolerância de Estado, já que legalmente a legislação brasileira dá ao cidadão o direito de crer ou de não crer. Não se trata disto. Antes de qualquer coisa é preciso levar em conta o fato de que este preconceito é do tipo branco, indolor, pois o ateísmo é um fenômeno fundamentalmente observado entre os ricos e a classe média letrada. Pessoas que em princípio independem deste pequeno detalhe de suas personalidades para conseguir sobreviver. O que não significa que não serão de algum modo discriminados, marginalizados, desdenhados ou meramente malvistos.
Algumas coisas são obvias, mas somente se tornam visíveis quando ditas por um nome respeitável. Em uma entrevista para a revista Veja, realizada em 2003, Salman Rushdie, o bom escritor anglo-indiano que infelizmente se tornou mundialmente conhecido não por seus livros e sim através de sua condenação a morte (fatwa) pelo regime teocrático fundamentalista islâmico do Irã, em 1989, falou sobre o problema. Disse que: “a linguagem da religião é uma linguagem de absolutos que, mais cedo ou mais tarde, levam à estigmatização de grupos. Como o grupo dos ateus e agnósticos, por exemplo”. Em seguida cita estatísticas. Segundo Rushdie, um grande jornal, cujo nome não mencionou, durante uma recente eleição presidencial norte-americana, realizou uma pesquisa em que perguntavam em quais candidatos das chamadas minorias os eleitores aceitariam votar. O resultado foi sintomático. De modo geral as pessoas não se oporiam a candidatos negros, homossexuais ou a mulheres. Mas quando perguntadas se votariam em um ateu ou agnóstico a grande maioria, mais de cinqüenta por cento, disseram que não. Não votariam de forma alguma, independentemente de suas outras qualidades morais ou profissionais. Em resumo, concluiu Rushdie, “você é inelegível se duvidar da existência de Deus
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